Doente com cancro tratado para a epilepsia durante um ano
Um homem que morreu com um
tumor no cérebro andou durante cerca de um ano a ser medicado para a epilepsia,
doença que nunca teve antes de dar entrada pela primeira vez no Hospital de
Santarém.
A família vai avançar
judicialmente contra o hospital, acusando-o de negligência por nunca ter
realizado a tempo os exames médicos corretos para detetar a doença.
Adão Boura, que residia no
Cartaxo, entrou pela primeira vez nas urgências do Hospital de Santarém em
novembro de 2012, com fortes dores de cabeça, tonturas, desequilíbrios e perdas
de memória.
Segundo explicou à Rede
Regional a viúva, Fernanda Boura, foi-lhe diagnosticada epilepsia e problemas
de fígado, "coisa de que ele nem se queixava".
Uma semana depois,
mandaram-no para casa sem realizar qualquer TAC ou ressonância magnética,
acrescenta a família.
A saúde de Adão Boura, que
morreu aos 63 anos, nunca melhorou até Novembro de 2013, quando foi novamente
hospitalizado em Santarém.
Ao fim de vários dias de
internamento, "queriam dar-lhe alta com comprimidos para as tonturas e
paracetamol", conta Fernanda Boura, que se recusou trazer o marido de
volta para casa.
"Ele não falava, não
conhecia ninguém e estava paralisado do lado direito. Como se pode mandar
alguém para casa naquelas condições?", questiona a viúva, acrescentando
que, só após as reclamações da família, o Hospital realizou o TAC que detetou
um tumor na cabeça, já em fase avançada bastante avançada.
O homem foi entretanto
operado em no hospital de São José e "melhorou bastante", segundo a
viúva, até ao passado dia 21 de abril, quando foi transportado de urgência ao
Hospital de Santarém, queixando-se dos mesmo sintomas neurológicos.
Mesmo sabendo que tinha
cancro, o hospital quis dar-lhe alta no dia seguinte, o que a família
recusou-se novamente; acabou por ficar internado, e faleceu no passado dia 23
de Abril.
Magda Oliveira
Magda Oliveira
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